sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Quando acaba o álcool... a maldita melancolia!



Tive que arranjar alguém pra ficar comigo nos dias ruins de chuva, enquanto teus castelos de areia me cortavam a carne feito faca sem fio. Não recebeu o recado? Dizia mais ou menos assim: “avisa ele que viver feliz significa se entregar, mesmo sendo assim tão difícil. Tudo tem seu preço, afinal. E amar não é diferente”.
Mas é isso. Só precisava de uns beijos de namorado, alguém que tivesse força pra atenuar meu vício de café, de cigarro, de ouvir 17 vezes por dia “Alive” do Pearl Jam escorada na janela do quarto. Eu gosto do estrago, da tragédia, do perigo. E, aparentemente, o que ele tem feito de melhor é livrar-me de péssimos hábitos, inclusive o de te amar. Veja só que alma caridosa e reconfortante o acaso me atirou na porta, pertinentemente como jornal.
Nem sei mais se preciso te evitar ou da tua boca. Se teve graça um dia, perdeu.
Inventei um amor pra me entreter em dias de chuva. Um daqueles que se der na telha, amanhã de manhã, na anunciação da primavera ou no solstício de verão eu acabo ele, me finjo chateada em respeito póstumo por uns dois dias e depois aproveito a vida. Sem crises de abstinência, sem programação de tantos passos, sem só-por-hoje. Ele sim é como café, que na verdade não é vício, é costume. Vício é você, que sente-se em casa em minhas artérias, amigo intimo de meus glóbulos brancos.
Eu sei, lembro todas as vezes que fui te incomodar atrás de migalhas, telefonando compulsivamente pro teu celular do corredor do teu prédio, mas não confesso a porta aberta. Se for pra ficar contigo, que seja sem correr riscos de você evaporar subitamente a fim de certificar se há mulheres melhores à toa na vida, esperando você passar. Você já não é mais tudo que eu quero. Quero agora o que preciso.
Posso listar as qualidades que o fazem melhor que você em ordem alfabética, de trás pra frente, em braile e até em esperanto, se quiser. Convenhamos, não é difícil, mas vamos lá, vou citar dez como tiragosto, também não quero te humilhar: 10. Sabe o caminho de casa; 9. É tão amável que me inspira cantarolar “Love Street” dos Doors; 8. Se vê-lo na rua de madrugada é porque está sonâmbulo; 7. Não troca a noite pelo dia; 6. Não tem problemas com a mãe; 5. Me deixa dormir de madrugada; 4. Não vive querendo se matar; 3. Não fica batendo na minha janela; 2. Não odeia meus amigos; 1. Não faz tantas perguntas.
Defeitos, daqueles insuportáveis mesmo, só três: não vicia, não dá rock, não é você.
Mas a gente se adapta, acho.

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